O começo da revolução capixaba?

O começo da revolução capixaba?

Fazem cerca de 20 dias que o Saldanha da Gama anunciou seu novo treinador para o returno do NBB 2, o carioca Paulo Murilo. Desde o dia do anúncio os olhos do Draft Brasil se voltaram com atenção e ansiedade para o time capixaba. Porque? Pelo simples motivo de que Paulo sempre foi um excepcional blogueiro e grande colaborador do Draft Brasil. Entretanto, não é pelo carinho e compartilhamento de artigos na internet que escrevo aqui sobre o final de semana do time dirigido pelo nosso colaborador. Paulo Murilo, assim como boa parte dos editores do Draft Brasil, sempre defendeu e lutou por convicções táticas em um país aonde a correria insana, chutes forçados de três e defesa “leve” eram lei. Quando falávamos em defesa forte, domínio do garrafão e poucos chutes do perímetro, éramos taxados de loucos e corneteiros. Após a chegada de Moncho Monsalve na seleção, muita coisa mudou no time nacional (e deve continuar mudando com Rubén Magnano), entretanto, nos clubes, não vimos muitas mudanças, afinal, a mesma correria, chutes forçados de fora e defesa frágil estão aí (os resultados do ano não são nada animadores, lembrando que nenhum brasileiro chegou ao Final Four da Liga das Américas). A partir de sexta-feira esse cenário parece ter começado a mudar (ao menos em um dos times da liga).

Pinheiros e Saldanha da Gama jogaram em São Paulo e o time de Murilo mostrou algumas evoluções consideráveis. Utilizando um sistema de dupla armação e três pivôs móveis dentro da área pintada (concepção que o treinador sempre defendeu), os capixabas chutaram apenas 8 bolas de três em toda a partida, apanharam 8 rebotes a mais que os donos da casa (que contam com Olivinha, ótimo reboteiro) e desperdiçaram a bola apenas 7 vezes. O resultado final não foi favorável, talvez pelo excesso de lances livres perdidos (11/26), entretanto, mudanças foram vistas.

Essas mudanças se confirmaram nesse Domingo, quando o Saldanha bateu o Paulistano em sua segunda partida em solo paulista. Apesar do alto número de erros (22), o time novamente foi controlado nos arremessos do perímetro (9). Também apanhou 22 rebotes a mais (42 a 20) e garantiu o controle do garrafão. Os lances livres melhoraram (22/25) e o time conseguiu garantir o bom resultado (apenas o terceiro em todo o NBB).

Sem assistir os jogos (por falta de transmissão televisiva) fica complicado atestar sobre o Saldanha, entretanto, muito pode ser visto apenas pelas estatísticas. Em dois jogos, o Saldanha apanhou em média 15 rebotes a mais que seu oponentes. Além disso, chutou quase 20 bolas a mais de dois e 20 bolas a menos de três. O time também conta com uma boa média de 16 assistências por duelo, ou seja, pratica um basquete diferente.

Agora, resta esperar pela natural evolução do grupo com o decorrer dos jogos e treinamentos, para quem sabe, assistir uma mudança drástica no jeito de jogar basquete no nível clubístico de nosso país. Afinal, porque outros não se inspiram nessa receita que mescla poucas bolas de três, domínio do garrafão e jogo coletivo (não necessariamente usando os mesmo conceitos do Prof. Paulo Murilo, entretanto, utilizando os conceitos citados que universalmente estão sendo seguidos como padrão). Ou alguém ainda acha que aquela correria louca com inúmeros arremessos de três tem vez?

Raoni Moretto
raokiller@hotmail.com

Foto: Blog Paulo Murilo


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6 Respostas para “O começo da revolução capixaba?”

  1. Olá Raoni! A algum tempo acompanho as reportagens que vcs colocam, e essa em especial eu gostaria de comentar. Eu estive nesse jogo de domingo, em São Paulo assistindo o jogo entre Paulistano e Saldanha da Gama. Olha a minha visão do basquete é extremamente limitada, apesar de amar o jogo, eu ainda tenho bastante coisa a aprender, mas pelo que eu pude ver realmente pode-se notar algo de diferente na forma de jogar da equipe do Salganha da Gama, tanto que na maior parte do jogo eles ficaram a frente no placar, contudo deve-se levar em conta que a equipe do Paulistano estava bem desfalcada (Dedê, Baby, Edu…), mas ainda sim puder observar uma forma de jogar diferente da equipe capixaba.

  2. Também falo com pouco conheciment do jogo, e também sem ter visto o jogo “in loco”, mas acredito que o segredo da redução dos arremessos de três não é uma simples opção por não força-los como fazem a maioria das equipes tupiniquins; a questão é trocar o arremesso de três pelo de dois (parte do tal domínio de garrafão); enquanto muitas equipes fazem da bola de três sua principal (as vezes até única) opção de ataque, o Saldanha tem preferência pelo jogo de garrafão, embaixo da cesta, e a bola de três deve ser eventualmente utilizada quando a defesa adversária está muito empurrada para seu próprio garrafão (como li em alguns comentários em blogs de internautas que estiveram no ginãsio), quando sobra espaço para um arremesso distante. Mas o Prof. Paulo deve ter conscientizado seus jogadores de que isso é um acontecimento eventual, não um padrão de jogo (como li em suas próprias declarações, dando a entender que controla os chutes de três da equipe).

    Aprendi a respeitar o trabalho do Professor Paulo através do DraftBrasil. Começo a ver que o respeito é mais que merecido.

    Abraços!

  3. estou ansioso por uma oportunidade de assistir a um jogo do “novo” Saldanha da Gama in loco. Quanto a outros times adotarem os conceitos do Professor Paulo Murilo, acho que é questão de tempo. Se o Saldanha continuar a jogar bem e evoluir como esperamos, outros treinadores vão copiar. Agora, como o próprio Murilo não deixa de nos lembrar várias vezes, não é tão simples quanto apenas diminuir o número de chutes de 3 e forçar mais o jogo embaixo da cesta. É necessário o domínio dos fundamentos, muito treinamento e estudo.

    abraços

  4. A vinda do Paulo Murilo para treinador do Saldanha é não só uma revolução, mas a salvação, teremos jogos mais cadenciados e com marcadores encostados no futuro.

  5. Verdade, Adriano, bem colocado. Só quis dizer que nesse sistema, as bolas de três não são mais a finalidade do jogo, apenas um meio dele, consequência de espaços abertos pela movimentação perto da cesta, e eventuais, já que o jogo no garrafão domina.

    Abraços!

  6. Estou muito curioso para ver em quadra toda a teoria sendo aplicada!

    Como é bom alguem sair do que tem sido feito por aí e modificar a sensação que tinhamos da bagunça que imperava em alguns jogos.

    Boa sorte pro Professor Paulo e pro Saldanha!

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