O nome certo escrito por linhas (muito) tortas!
Rubén Magnano enfim foi anunciado como novo técnico da seleção brasileira, encerrando uma indefinição que já durava mais de 5 meses. Tomada a decisão de substituir o técnico espanhol Moncho Monsalve, a escolha por Magnano é irreprensível. Já o conturbado processo que a envolveu foi lastimável.
A saída do técnico Moncho Monsalve começou a se desenhar há muito tempo, na verdade, desde o dia 4 de maio de 2009, quando Carlos Nunes assumiu o lugar de Grego na presidência da CBB. Já naquela data era evidente a existência de uma indefinição dos correligionários de Carlinhos sobre o cargo, com parte, inclusive, apoiando expressamente a imediata substituição do treinador.
O fato é que Moncho foi inicialmente mantido e, incrivelmente – esse talvez tenha sido o episódio mais lamentável de toda essa novela – foi em plena Copa América que explodiram os rumores de que a CBB planejava a substituição do técnico. A demora e a falta de clareza nas declarações de Carlos Nunes, seguida por pesadas e questionáveis críticas ao modus operandi do treinador serviram para, no mínimo, pertubar o ambiente da seleção e da própria CBB. Quem estava em San Juan garante, inclusive, que os diretores técnicos Vanderlei Mazzuchini e André Alves simplesmente não falavam a mesma língua do técnico Moncho Monsalve (no sentido figurado!).
O problema é que a seleção conquistou a Copa América e, mais, o fez praticando o seu melhor basquete em quase 15 anos. Fora isso, Moncho Monsalve conquistou a simpatia dos jogadores, dos torcedores e até da (reconhecidamente) rabugenta mídia especializada.
Assim, a CBB passou os últimos 5 meses tentando arrumar uma justificativa para uma decisão que já havia sido tomada há muito tempo. Ora era o temperamento do treinador, ora era a falta de viagens ao Brasil, ora era a saúde de Moncho, ora era uma suposta pretensão por um aumento. Enfim, dezenas de desculpas esfarrapadas que eram desmentidas ao longo do tempo, enquanto que pipocavam na imprensa rumores de que a CBB estava sim à procura de um novo treinador para a seleção masculina.
Foi um verdadeiro processo de fritura pública desnecessário e desrespeitoso com um técnico que pode ter os seus defeitos, mas nunca faltou respeito à seleção brasileira, e que, a seu modo, conseguiu fazer com que o nosso time voltasse a jogar um bom basquete.
O mais inusitado é ver alguns jogadores, como Marcelinho Huertas e Tiago Splitter, que parecem ter certa aversão à imprensa, ver que o falatório sobre a substituição do técnico da seleção durante e depois da Copa América nada tinha de equivocado, conforme demonstram as suas declarações ao Globoesporte.com. Vejamos:
Tiago Splitter “- Não sabia de nada. Todo mundo sabia que o Moncho estava com alguns problemas físicos, passou por uma operação no ano passado, mas não sabemos por que houve essa troca. Mas a CBB deve ter seus motivos”.
Marcelinho Huertas “- Eu não sabia que eles estavam tentando fechar com um outro nome. Claro que tem muita especulação, mas no fundo a gente nunca sabe se é verdade. O Moncho fez um trabalho muito bom. Não sei quais foram as razões para ele sair, mas acho que tem que respeitar. Se nós conquistamos o título da Copa América no ano passado, devemos muito a ele”.
Dito isso, o nome escolhido para substituí-lo é mesmo inquestionável. Rubén Magnano, entrevistado pelo Draft Brasil em agosto, está num outro patamar do basquete internacional e possui um invejável currículo à frente da seleção Argentina e de clubes daqueles país.
Então, os fins não justificariam os meios? De forma alguma. O processo de substituição é legítimo, mas deveria ter sido feito às claras e no tempo certo, até em respeito a imagem da própria CBB. Ora, imagine, por exemplo, se a moda pega e o próprio Magnano, no meio do Campeonato Mundial começa a discutir proposta com outras seleções ou clubes?
Além disso, a substituição no meio de um ciclo (preparação para o Mundial 2010) é arriscada, ainda mais quando o trabalho anterior vinha colhendo bons frutos. A mudança pode criar uma sobrecarga de responsabilidade muito grande sobre os ombros de Ruben Magnano, que terá pouquíssimo tempo para conhecer o basquete brasileiro e preparar a seleção para o torneio a ser disputado na Turquia.
Não podemos esquecer que a geração dourada de nossos hermanos contou com um material humano muito melhor que o nosso, principalmente em termos de profundidade de elenco. Aquele time campeão olímpico contava, por exemplo, com jogadores como Montecchia, Oberto, Delfino e Walter Hermann…no banco de reservas. Isso sem contar, evidentemente, com a presença de 2 jogadores espetaculares: Manu Ginobili e Luis Scola.
Assim, apesar de Moncho Monsalve ter conseguido preparar um time competitivo, corrigindo dois de nossos principais problemas históricos: precipitação no ataque e postura defensiva, há que se ter paciência com o novo técnico da seleção e dar-lhe toda a estrutura necessária antes de cobrar resultados, até porque dispor de um campeão olímpico é um privilégio para pouquíssimos…

Jan 16th, 2010 at 17:55
Apesar de concordar com a essência do texto, discordo de duas afirmações:
- para mim a substitução não está sendo efetuada no meio de um ciclo pois o ciclo que realmente importa é o Olímpico. Creio que o Brasil, por mais que tenha melhorado, não possui ainda condições de fazer um grande Mundial. Mesmo com o Moncho tendo a confiança dos grandes jogadores do Brasil, valeria a pena “arriscar” mantê-lo só até o Mundial e depois começar “do zero” para as Olimpíadas? Não é melhor arriscar um pouco no Mundial e ganhar mais tempo para o Magnano trabalhar a equipe para Londres?
- Ruben Magnano realmente terá “pouquíssimo tempo para conhecer o basquete brasileiro” mas, em contrapartida, o que Moncho conhecia? Quantos dias o Moncho passou no Brasil para conhecer nosso basquete? Para o Pré de Atenas levou o Ricardo Probst que inicialmente não estava nem convocado para a equipe “B” (para Poro Rico nem foi convocado). Para o pré-mundial levou um time com somente 7 jogadores de confiança e, no banco, “veteranos” sem futuro (Duda, Olivinha, JP) em detrimento de jovens para ganhar experiência. Deixou de incluir promessas que atuavam na própria Espanha (seu país natal onde passou a maior parte do tempo). Por exemplo, Augusto Cesar Lima está sendo aproveitado no Unicaja (jogou MUITOS minutos contra o timaço do Caja Laboral) e não foi chamado, enquanto Jordan Burger (convocado e cortado pelo Moncho) segue sem destaque na Espanha. Manteiguinha, que é um jogador “mais ou menos”, era considerado pelo Moncho um jogador garantido no grupo. Duvido que, pela proximidade entre Brasil e Argentina, além da sua competência, o Magnano cometa tais erros (mesmo com o pouco tempo que terá para trabalhar).
No mais, entendo que o texto está irrepreensível.
Abs.
jdinis
Jan 16th, 2010 at 18:46
Acho que faltou respeito ao Moncho, mas que o argentino é fera, isto é indiscutível. Qto aos jogadores com certeza o Magnano não tera dificuldades.
Jan 16th, 2010 at 18:58
Oi Jdinis,
Obrigado pelo seu comentário.
Acho incontestável o seu argumento de que Moncho não tinha como se aprofundar sobre os nossos jogadores sobre o elenco.
Mas vejo sim algumas diferenças para a situação a ser enfrentada pelo Magnano em relação à situação em que estava atualmente o Moncho.
Afinal, essa seria a terceira competição do Moncho, sendo que ele já trabalhou, nas duas temporadas em que esteve no comando da equipe, com cerca de 60 jogadores, em quase 10 competições, incluindo as não oficiais.
Embora ele não conheça as nuâncias do basquete praticado no Brasil, ele já teve um tempo razoável para conhecer pessoalmente pelo menos 90% dos atletas realmente selecionáveis. Nesse processo ele cometeu alguns erros (entre os quais, aqueles citados por vc), o que evidentemente tende a gerar uma evolução nas escalações subsequentes.
Já o Magnano, terá 7 meses para saber quem são os jogadores brasileiros disponíveis e já na sua primeira escalação não poderá cometer erros, ainda mais considerando o nível técnico da competição.
Sobre os atletas jovens, o Moncho convocou diversos no último processo de seleção, mas alguns não estavam ainda em condições de atuar na seleção principal, enquanto outros simplesmente não se apresentaram (Hátila Passos, por exemplo). Para piorar, ainda houve o caso Paulão, que treinou durante boa parte da preparação com a seleção e na hora H o Unicaja voltou. Esse era um jogador que certamente faria parte da nossa rotação…
O Augusto Lima foi uma boa surpresa, mas não dá para culpar o Moncho. Certamente se ele fosse convocado no lugar do Paulão, provocaria uma imensa chiadeira.
Jan 16th, 2010 at 19:02
Só para completar, Jdinis. Discordo de você a respeito do Olivinha.
Fiquei muito contente com a sua convocação, eis que atualmente ele é um dos melhores jogadores em atividade no Brasil.
O absurdo, a meu ver, seria continuar insistindo em nomes como Ricardo e Drudi, ao invés de convocar o Olivinha.
Além disso, quando entrou em quadra, o Olivinha correspondeu. Sinceramente, espero que continue sendo convocado.
Quanto ao Duda e JP, concordo plenamente que são jogadores que atualmente não tem condições de servir a seleção em competições de grande porte.
Um abraço,
Alfredo
Jan 16th, 2010 at 19:42
a presidência da CBB mudou mas parece que as lambanças da instituição continuam…
uma coisa é discutir os defeitos que o Moncho tem como treinador (incluindo-se aqui coisas como não conhecer os nossos jogadores, não passar o tempo “devido” por aqui, etc…), outra coisa é fazer o que fizeram com o cara…
achei o texto muito bacana, esclarecedor, e concordo muito com ele…
o que disseram pro Bassul eu achei mais piada ainda; algo como: sinta-se livre pra negociar com quem você quiser, mas eu ainda não sei se eu vou continuar com você…
eu discordo dessa de levar garotos pra ganhar experiência, até porque nem temos tantos promissores assim; talvez levaria um como 12º jogador (se fosse hoje eu levava o Benite armador); já levamos Caio Torres, André Bambu, entre outros, e esses jogadores deram em que?
pra mim seleção é o lugar dos melhores, não importa a idade que eles tenham; se o Rogério Klafke, o Helinho, ou outro qualquer continuam jogando bem (e pelos 7 últimos anos eu os vejo jogar dessa forma), eles deveriam ser levados…
até porque seria pra jogar pouco, e acho que o treinador se sentiria confiante pra colocá-los na quadra se fosse preciso, caso que pra mim não aconteceu com o Duda, Marcus (que joga 30 segundos por jogo na Espanha), dentre muitos outros, nesses últimos anos…
pra mim, técnico de seleção é isso, reunir os melhores; se tivesse que dormir 1 mês na casa do Valtinho pra convênce-lo a aceitar convocação, dormia; se tivesse que ligar 300 vezes pro Nenê pra ver se ele atende uma ligação, ligava…
a minha espectativa com treinador novo é sempre essa, que nunca acontece, que paremos de baboseira e de “estigmatizar” jogadores e nos esforcemos pra levar de fato o melhor time que temos…
o Magnano é um grande técnico, mas que depois de 2004 só rodou o mundo também né, não ganhou mais nada…
mas acredito que ele fará um bom trabalho…
fuu! desabafei, haha…
Jan 16th, 2010 at 19:49
Alfredo,
Realmente acho que incluir o Olivinha junto com o Duda é “pegar pesado” com ele.
Também acho que o Moncho levava vantagem por conhecer os jogadores principais, mas, conforme disse anteriormente, entendo que vale a pena arriscar essa dificuldade do Magnano por resultados a longo prazo.
Sobre a não convocação do Augusto Lima (mesmo que para avaliação), achei uma demonstração de fragilidade do Moncho. Se ele vivia na Espanha e tinha compromisso com o Brasil, era sua obrigação (ou deveria ser) acompanhar as jovens promessas que atuavam por lá.
Se o Aito Garcia chamou o jogador para atuar no Unicaja ele já devia estar jogando bem. E o Moncho não viu ou não conseguiu perceber o potencial. Esses detalhes é que ajudam a fazer um grande técnico (como o Aito Garcia Reneses). Não quero dizer que o Augusto Lima será um craque e que o Jordan Burger será um fracasso, mas, pelo momento dos dois, o Augusto Lima é que devia ter sido chamado.
Estou muito otimista com a escolha do Ruben Magnano e espero que seja cumprida a promessa dele fixar residência no Brasil e ajudar na reestruturação de nosso basquete. Acho um tremendo upgrade no comando de nossa seleção.
Abs.
Jan 16th, 2010 at 20:05
André Rocha,
Levar os melhores independente da idade é uma opção correta (na minha opinião), mas o Moncho não fez essa opção. Levou jogadores experientes e não os utilizou. Para isso era melhor levar garotos acreditando no futuro (já que era pra ficar no banco mesmo, não consigo imaginar que o Benite não seria melhor opção do que o Duda).
Também concordo inteiramente que o Valtinho era super importante.
Se não me engano o Magnano foi campeão argentino ano passado com o time sem grandes estrelas. E na Europa a competição é super acirrada, não é fácil ser campeão.
Abs.
jdinis
Jan 16th, 2010 at 23:40
Muito bom post. Parabéns.
Desrespeito com o Moncho, de resto é isso mesmo.
Jan 17th, 2010 at 01:24
Bom, vamos aos fatos
- Primeiro que foi sim uma baita sacanagem com o Moncho,o que me faz pensar que as coisas nunca mudam no escalão da CBB
O nome escolhido, por si, é otimo, porem nosso problema não esta aí e nunca esteve, vamos enumerar nossos problemas :
- Base I ( Ninguem hoje em dia quer jogar basquete, primeiro o basquete tá em baixa, dentro e fora da quadra, segundo pelas estruturas dos times )
- Base II ( Não vejo nossos tecnicos de base preparados pra ensinarem basquete, formarem os jogadores, não estou falando de regras, e sim de tecnica e principalmente tatica )
- NBB ( Um campeonato lamentavel que não revela ninguem, continua jogando os mesmo dinossauros de sempre, nada contra eles, mas pra eles estarem jogando, imaginem, o nivel do campeonato)
- NBB II ( Os chamados ” Grandes ” times da NBB, vão jogar com times sulamericamos e toma pau direto, esses dia vi um time brasileiro tomar 30 pontos de um time Mexicano, isso mostra o nivel desse campeonato )
- Tecnicos ( Absolutamente dispreparados, tantos dos times profissionais quanto os da base, tecnicos superados que ainda insistem em dizer ” devemos jogar do jeito brasileiro “, afinal que jeito é esse que até hj não compreendi ? )
- Tecnicos II ( A escola de tecnicos, putz, como tecnicos absolutamente superados e fracos tecnicamente vão ensinar algo a alguem ? Absolutamente pifio )
Essas entre outras questões sim, devem ser resolvidas rapidamente, Olimpiada tem varias, Mundiais tem varios, não deveriamos pensar só nesses proximos, e sim no futuro do nosso basquete, resumindo, na minah opnião não musou nada, continua no caminho errado.
Jan 17th, 2010 at 13:10
Thomaz,
“Dispreparado” é vc.Aprenda a escrever.Seu comentario é muito fraco…..Abs.
Jan 17th, 2010 at 18:48
Concordo com a opinião da maioria de que a CBB não soube conduzir o processo e faltou com respeito ao Moncho. Concordo também que desde que assumiu a presidência claramente Carlos Nunes demonstrava que as comissões técnicas tanto do feminino quando do masculino permaneceram mais pela falta de tempo para mudanças, vide a proximidade da Copa América masculina e feminina.
Não podemos esquecer que a CBB está sendo precionada pelo COB a fazer um planejamento que culminará nas Olimpíadas de 2016, sendo assim, diante da idade e dos problemas físicos do Moncho sua substituição não tardaria, visto isso, a contração do Magnano foi uma cesta de 3 pontos com direito a lance livre de bonificação, com ela espera-se que se vá os resquícios de problemas políticos da gestão anterior que implicavam na não convocação de jogadores como o Helinho de Franca que pode ser uma peça importantíssima a curto prazo (Mundial e Pré-Olímpico), dando tempo de encontrar e lapdar um talento para assumir a armação da seleção, além de ter um treinador respeitado e competente que pode contribuir para uma mudança de mentalidade tática e na formação de atletas.
Jan 17th, 2010 at 23:27
para variar vcs criticam a cbb por tudo ta loco colocaram o melhor disponivel no mercado e mesmo assim vcs sao contra ta loco e nao vale comparar o time argentino com o nosso claro que vale sim temos jogadores a altura daquele time é que o ginobili e o scola só viraram superastros justamente porque o magnano conseguiu os titulos eles não eram nada quando ele entrou os dois eram só esforçados e bons na europa e agora sao allstar na nba
Jan 17th, 2010 at 23:29
o rubesn magnano é bom mas o sergio hernandez é melhor que ele
Jan 18th, 2010 at 12:01
Snake,
Ginóbili e Scola são apenas “bons” e “esforçados”? O Andres Nocioni e o Carlos Delfino é que são jogadores esforçados.
O Ginóbili já foi MVP da liga Italiana, da Euroleague Final Four, da Copa Italiana e por ai vai.
O Scola era um dos principais jogadores do Tau Ceramica da europa.
Abs
Jan 18th, 2010 at 15:22
Grande texto. Concordo com o Alfredo em tudo !
Análise corretissima da situacao.
Jan 23rd, 2010 at 10:42
Muito bom seu texto, Alfredo. Um desrespeito claro foi a cobertura da seleção feita pelo canal SporTV. As críticas são compreensivas, mas as implicâncias permanentes, incisivas e fora do contexto tinham como alvo criar um ambiente de instabilidade até a substituição do Moncho.
Mar 10th, 2010 at 08:33
vai tomar no cú
May 28th, 2010 at 16:15
viado